domingo, 25 de janeiro de 2009

Sua pressa vale uma vida???






Márcia Regina morre atropelada por ônibus em plena Av. Paulista. A ciclista era cicloativista e tinha a bicicleta como meio de transporte e filosofia de vida.

O Movimento Bicicletada SP, prestou homenagens à Márcia, não apenas em mémoria à mesma mas também como forma de protesto, denuncia e consientização dos motoristas e da população em geral. Como diria Gira "Sua pressa vale uma vida"?
Integrantes do movimento plantaram uma árvore na Av. Paulista e realizam um ato em mémoria à moça, tradicional quando ocorre a morte de um ciclista. A bicicleta fantasma, toda pintada de branco e enfeitada de rosas foi colocada num canteiro da Paulista próximo ao local do crime.

Márcia fazia parte do grupo Bicicletada e assinava o Manifesto dos Invisíveis, documento que pede a adoção da bicicleta como meio de transporte, com mais investimentos na construção de ciclovias. "Ela não usava ônibus, não tinha carro, fazia tudo de bicicleta", disse o arquiteto Daniel Ingo, companheiro de passeios de Márcia. "No domingo mesmo fomos para a praia pedalando." Para o ciclista Albert Pelegrini, que também faz parte do Bicicletada, Márcia foi vítima de uma disputa que acontece todos os dias no asfalto da Paulista. "É uma manobra padrão dos ônibus acelerar e fechar a bicicleta", diz. "A gente fica sem saída. A Márcia era experiente, o problema é que sempre tratam a gente como uma coisa invisível."

A massagista é mais uma vítima da guerra diária que envolve motoristas, motociclistas, pedestres e ciclistas. Todos os dias, o trânsito de São Paulo mata em média 4,3 pessoas e fere com alguma gravidade pelo menos outras 72 - uma "epidemia" que faz mais vítimas fatais que aids, insuficiência cardíaca e tuberculose, conforme revelou o Estado em setembro.

Sua pressa vale uma vida?
Seu conforto vale seu pulmão?
Seu conformismo é do tamanho do seu medo?

sem mais...



O relato do Diário de S.Paulo é sucinto:

Uma ciclista, de 40 anos, morreu após ser atropelada por um ônibus, na Avenida Paulista, no sentido Consolação, na região dos Jardins. O acidente ocorreu quase na frente do prédio da Fundação Casper Líbero, na pista da direita. Márcia Regina de Andrade Prado circulava perto do meio-fio quando o motorista a ultrapassou. Uma testemunha diz que o motorista bateu no guidão da bicicleta. Ela se desiquilibrou, caiu e o coletivo passou por cima dela. O motorista Mario José de Oliveira, de 53 anos, trabalha desde 1981 e diz que nunca havia se envolvido em acidentes. Ele relatou à reportagem que ela estava no meio da faixa. Ele avançou na segunda faixa para ultrapassá-la. Quando ele retornava para a faixa da direita, ouviu o barulho e parou.

- Tenho a consciência tranquila. Lamento muito a morte de uma pessoa, mas sei que não tive culpa - disse.

Manifestações de luto


/ Homenagem à ciclista Márcia Prado:

QUINTA (15/01), às 18h


/ Bicicletada da Memória: Márcia Prado

SEXTA (16/01), concentração às 18h, pedalada às 20h


Local: Praça d@ Ciclista - Av. Paulista x Rua da Consolação

Manifesto dos invisiveis

Motorista, o que você faria se dissessem que você só pode dirigir em algumas vias especiais, porque seu carro não possui airbags? E que, onde elas não existissem, você não poderia transitar?

Para nós, cidadãos que utilizam a bicicleta como meio de transporte, é esse o sentimento ao ouvir que “só será seguro pedalar em São Paulo quando houver ciclovias”, ou que “a bicicleta atrapalha o trânsito”. Precisamos pedalar agora. E já pedalamos! Nós e mais 300 mil pessoas, diariamente. Será que deveríamos esperar até 2020, ano em que Eduardo Jorge (secretário do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo) estima que teremos 1.000 quilômetros de ciclovias? Se a cidade tem mais de 17 mil quilômetros de vias, pelo menos 94% delas continuarão sem ciclovia. Como fazer quando precisarmos passar por alguma dessas vias? Carregar a bicicleta nas costas até a próxima ciclovia? Empurrá-la pela calçada?

Ciclovia é só uma das possibilidades de infra-estrutura existentes para o uso da bicicleta. Nosso sistema viário, assim como a cidade, foi pensado para os carros particulares e, quando não ignora, coloca em segundo plano os ônibus, pedestres e ciclistas. Não precisamos de ciclovias para pedalar, assim como carros e caminhões não precisam ser separados. O ciclista tem o direito legal de pedalar por praticamente todas as vias, e ainda tem a preferência garantida pelo Código de Trânsito Brasileiro sobre todos os veículos motorizados. A evolução do ciclismo como transporte é marca de cidadania na Europa e de funcionalidade na China. Já temos, mesmo na América do Sul, um grande exemplo de soluções criativas: Bogotá.

Não clamamos por ciclovias, clamamos por respeito. Às leis de trânsito colocam em primeiro plano o respeito à vida. As ruas são públicas e devem ser compartilhadas entre todos os veículos, como manda a lei e reza o bom senso. Porém, muitas pessoas não se arriscam a pedalar por medo da atitude violenta de alguns motoristas. Estes motoristas felizmente são minoria, mas uma minoria que assusta e agride.

A recente iniciativa do Metrô de emprestar bicicletas e oferecer bicicletários é importante. Atende a uma carência que é relegada pelo poder público: a necessidade de espaço seguro para estacionar as bikes. Em vez de ciclovias, a instalação de bicicletários deveria vir acompanhada de uma campanha de educação no trânsito e um trabalho de sinalização de vias, para informar aos motoristas que ciclistas podem e devem circular nas ruas da nossa cidade. Nos cursos de habilitação não há sequer um parágrafo sobre proteger o ciclista, sobre o veículo maior sempre zelar pelo menor. Eventualmente cita-se a legislação a ser decorada, sem explicá-la adequadamente. E a sinalização, quando existe, proíbe a bicicleta; nunca comunica os motoristas sobre o compartilhamento da via, regulamenta seu uso ou indica caminhos alternativos para o ciclista. A ausência de sinalização deseduca os motoristas porque não legitima a presença da bicicleta nas vias públicas.

A insistência em afirmar que as ruas serão seguras para as bicicletas somente quando houver milhares de quilômetros de ciclovias parece a desculpa usada por muitos motoristas para não deixar o carro em casa. “Só mudarei meus hábitos quando tiver metrô na porta de casa”, enquanto continuam a congestionar e poluir o espaço público, esperando que outros resolvam seus problemas, em vez de tomar a iniciativa para construir uma solução.

Não podemos e não vamos esperar. Precisamos usar nossas bicicletas já, dentro da lei e com segurança. Vamos desde já contribuir para melhorar a qualidade de vida da nossa cidade. Vamos liberar espaços no trânsito e não poluir o ar. Vamos fazer bem para a saúde (de todos) e compartilhar, com os que ainda não experimentaram, o prazer de pedalar.

Preferimos crer que podemos fazer nossa cidade mais humana, do que acreditar que a solução dos nossos problemas é alimentar a segregação com ciclovias. Existem alternativas mais rápidas e soluções que serão benéficas a todos, se pudermos nos unir para construirmos juntos uma cidade mais humana.

A rua é de todos. A cidade também.

Nós, ciclistas, que também somos o trânsito:

Adriana de Oliveira Branco
Afonso Savaglia (http://www.savaglia.com.br)
Alberto Pellegrini
Alex Gomes ( U-Biker )
Alexandre Afonso
Alexandre Catão
Alexandre Loschiavo (Sampabiketour - www.sampabiketour.blogspot.com (external link))
Alexandre Palmieri (Kampa.com.br )
Alonzo "Chascon" Zarzosa (Terrorista Latino - www.terroristalatino.blogspot.com (external link))
Álvaro Diogo
Ana Paula Cross Neumann (Aninha - http://aninhaneumann.blogspot.com/) (external link)
Andre Galhardo
André Mezabarba (Belo Horizonte, MG)
André Pasqualini (CicloBR - http://www.ciclobr.com.br) (external link)
André Vinicius Mulho da Costa (Florianópolis, SC)
Antonio Lacerda Miotto (Pedalante - http://www.pedalante.blogspot.com/) (external link)
Arlindo Saraiva Pereira Junior (Nighto - http://nighto.net/) (external link)
Aylons Hazzud
Ayrton Sena Santos do Nascimento
Beto Marcicano (Super Ação! - http://superacaoblog.blogspot.com/) (external link)
Bruno Canesi Morino
Bruno Cézar Grego (No Nose)
Bruno de Crudis Rodrigues
Bruno Giorgi Crisóstomo Ianoni
Bruno Gola
Bruno Rodrigues
Caio Yamazaki Saravalle
Carlos Cabral
Cármen Sampaio Amendola
Carolina Spillari
Célia Choairy de Moraes
Chantal Bispo (Eu vou voando - http://www.euvouvoando.blogspot.com/) (external link)
Chico Macena (www.chicomacena.com.br (external link))
Daniel Ingo Haase (FAHRRAD - http://www.fahrad.multiply.com/) (external link)
Daniel Albuquerque
Daniel das Neves Magalhães
Daniel Moura (Maceió, AL)
Daniel Ranieri Costa (São Paulo, SP)
Daniela Pastana Cuevas
Danilo Martinho May
Drielle Caroline Alarcon
Eduardo Girão (www.estudiogirao.com.br)
Eduardo Lopes Merege
Eduardo Marques Grigoletto (CicloAtivando - http://cicloativando.blogspot.com/) (external link)
Evelyn Araripe
Fabiano Faga Pacheco
Fabricio Mouret
Fabrício Zuccherato (pedal-driven - http://pedaldriven.wordpress.com/) (external link)
Flávio "Xavero" Coelho
Felipe Aragonez (Falanstérios - http://www.falansterios.blogspot.com/) (external link)
Felipe Antônio Paulon Fontes (Pensando Torto - http://pensandotorto.blogspot.com) (external link)
Felipe Martins Pereira Ribeiro
Felippe (Ciclo Urbano - http://blogciclourbano.blogspot.com/) (external link)
Fernando Guimarães Norte
Filipe Franco de Souza
Francisco Pellegrini
Frank Barroso (Movimento Cidade Futura - http://www.nacidadesemmeucarro.org.br (external link) )
Gabriel Silveira de Andrade Antunes (Brasília, DF)
Gerhard Grube
Guilherme Henrique Maruyama da Costa
Gustavo Bianchini (Total Bike - http://www.totalbike.com.br/) (external link)
Gustavo Fonseca Meyer
Hélio Wicher Neto
Henrique Boney (www.boney.com.br (external link))
Henrique Mogadouro da Cunha
Hilton Luis Moreira Bulhões
Ian Thomaz (Enquanto não HáFogo - www.hafogo.blogspot.com (external link))
Isaac Akira Kojima (Total Urbs - http://totaurbs.blogspot.com) (external link)
Jeanne Freitas Gibson
João Guilherme Lacerda
Joao Paulo Pedrosa (Malfadado, o contestatário - http://www.malfadado-o-contestatario.blogspot.com/) (external link) (Portugal)
Joel Pinheiro
José Alberto F. Monteiro
José Paulo Guedes Pinto (Ecologia Urbana - http://ecourbana.wordpress.com/) (external link)
Juliana Mateus
Juliana da Silva Diehl
Júlio Boaro
Jupercio Juliano de Almeida Garcia
Kelaine Azevedo
Keline Cajueiro Campos Barreto
Laércio Luiz Muniz (Onipresente Ausente - http://outforlunch.blogspot.com/) (external link)
Larissa Xavier Neves da Silva (Porto Alegre, RS)
Lauro Martins de Oliveira
Leandro Cascino Repolho
Leandro Coletto Biazon
Leandro Kruszielski (meandros - http://meandros.wordpress.com/) (external link)
Leandro Valverdes
Leonardo Américo Cuevas Neira
Lewis Clementino da Silva
Lincoln Eduardo Paiva
Luciano César Marinho
Luciano Ogura Buralli
Lucien Constantino (Lilx)
Luis Sorrilha (BIGSP - http://bigsp.blogspot.com/) (external link)
Luiz Humberto Sanches Farias
Maíra Rosauro Zasso (Desembuchando - http://desembuchando.wordpress.com) (external link)
Manuela Ortiz
Marcel Manzano Lima
Marcelo Bunscheit (Roda28 - Roda28.com.br)
Marcelo de Almeida Siqueira (http://www.bicicuba.blogspot.com) e (http://www.galeriadoartista.com.br)
Marcelo Império Grillo (MIG)
Márcia Regina de Andrade Prado
Márcio Campos
Marcos Miranda Toledo (Belo Horizonte, MG)
Mariana Cavalcante (Gira-me - http://girame.wordpress.com/ (external link) )
Mariana Zdravca
Mariane Palhares
Mário Canna Pires
Marla Estima Vargas Ranieri Costa
Matias Mignon Mickenhagen
Mathias Fingermann
Maurício Rodrigues de Souza
Mauro Baraldi
Michelle Bertolazi Gimenes
Mila Molina
Neide Gaspar
Otávio Remedio
Paula Cinquetti
Paulo V. Delgado
Polly Rosa
Poti Campos (Pedivela - http://pedivela.blogspot.com) (external link)
Rafael Dias Menezes
Rafael Ehlert (Porto Alegre, RS)
Rafael Rodolfo Chacon
Renata Falzoni (falzoni.com - nightbikers - espn/renatafalzoni)
Renato Kairalla Costa (Tinho) (Se Locomovendo na Selva de Pedra - http://selvadepedra.wordpress.com/) (external link)
Renato Panzoldo
Ricardo Lacerda Bruns
Ricardo Nunes (ExtremeFunBikes - www.extremefunbikes.co.cc (external link))
Ricardo Shiota Yasuda
Ricardo Sobral (Bicicleta na Cidade - http://bicicletanacidade.blogspot.com) (external link)
Roberto Piani
Rodrigo Arnoud
Rodrigo Mendonça (www.blog.caminhosturismo.com)
Rodrigo Navarro
Rodrigo Sampaio Primo
Rodrigo Squizato (Blog da Terra - http://blogdaterra.com.br) (external link)
Ronaldo Toshio Ciclista Toshio
Silvia Düssel Schiros (Faça a sua parte - http://verbeat.org/blogs/facaasuaparte) (external link)
Silvio Duarte Moris (http://silviobikersp.multiply.com)
Silvio Tambara (Na medida do humano - http://namedidadohumano.blogspot.com/) (external link)
Soraia Lopes de Miranda Silva (Brasília, DF)
Talita Oliveira Noguchi
Thatiane Hijano Costa
Thiago Benicchio (Apocalipse Motorizado - http://apocalipsemotorizado.net/) (external link)
Vado Gonçalves (cicloativismo - www.moonlightbikers.com.br (external link))
Verônica Mambrini
Victor Kazuo Teramoto (TASCidade - Transforme Agora Sua Cidade - http://transformesuacidade.blogspot.com/) (external link)
Victor Y. G. Takayama
Vinicius de Araujo Sant' Ana
Vinicius Zanona (Guarapuava, PR)
Vitor Leal Pinheiro (Quintal - http://nossoquintal.org/) (external link)
Wadilson (www.wde.com.br/bike/passeios.htm)
Willian Cruz (Vá de Bike! - http://freeride.blig.com.br/) (external link)
Yorik von Havre

sábado, 9 de agosto de 2008

Estudo de Casa

Mi casa
Tu casa
Casa viva
Nuestra casa
Gaya



Durante quatro meses um grupo multidiciplinar começou a projetar modificações em um apartamento em São Paulo buscando, dentro dos parâmentros das cidades de transição, alternativas para uma moradia urbana sustentável.

O grupo se formou dentro do curso Educação Gaya que teve sua terceira turma formada em 2008, na Umapaz no Ibirapuera. Dentro do curso grupos de trabalho, ou vilas, como as batizamos, foram formadas e cada uma deveria escolher um Estudo de Caso com intuito de realizar um design sustentável. Nós da Vila União escolhemos o apartamento da artista plástica Floriana Breyer e o batizamos se Estudo de Casa.

Diversos sistemas e tecnologias foram estudados e planejados, desde captação de aguá da chuva, teto verde, utilização de energia solar, reúso das águas cinzas (como chamamos as águas do banho, pia e da máquina de lavar), jardins verticais, sistemas de irrigação, entre outros. Vários deles foram instalados durante uma vivência de uma semana que se iniciou no dia 28/08/08 e se concluiu dia 3/08/2008.

Formam intensos dias de vivência nos quais diversas das tecnologias limpas e socias puderam ser aplicadas e incorporadas pelos integrantes, convertendo a casa num verdadeiro laboratório experimental de tecnologias do novo tempo. Permacultura urbana, feng shue, radiestesia e radionica, bio construção, são algumas das áreas que nortearam nosso processo, que contou com a colaboração de alguns especialistas como:

Peter Webb,
Tomaz Lotufo,
Edison Urbano,
Anderson Sakuma.

Para saber mais visite www.estudodecasa.blogspot.com

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Ministra do Meio Ambiente se demite...

Marina tem ministério esvaziado e se demite
14/5/2008 - Jornal Valor Econômico - Brasil
São Paulo - SP

Uma dos sete remanescentes do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra Marina Silva (Meio Ambiente) pediu demissão ontem, agastada com o isolamento ao qual foi submetida no governo, com a entrega da coordenação do Plano Amazônia Sustentável (PAS) ao filósofo Mangabeira Unger, ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos. Marina será substituída pelo geógrafo Carlos Minc, secretário do Ambiente do Rio, muito embora o Palácio do Planalto, à noite, ainda aventasse a hipótese de chamar o ex-governador do Acre, terra da ministra, Jorge Viana.

Prestígio internacional era o que mantinha Marina Silva no governo, no qual ela travou - e quase sempre perdeu - sucessivos embates. A ministra tinha consciência dessa condição simbólica, mas achava que ela também já estava se desfazendo. "Eu sou internacionalmente a cara da questão ambiental no Brasil", desabafou recentemente a ministra a um amigo. "Mas essa cara já está desfigurada", completou, frustrada com as seguidas derrotas. Na carta de demissão, Marina expressou publicamente o sentimento de desgaste. "As difíceis tarefas que o governo ainda tem pela frente sinalizam que é necessária a reconstrução da sustentação política para a agenda ambiental", escreveu a ministra.

A frase resume com exatidão o estado de espírito de Marina Silva nos últimos dias. O desgaste de Marina se processa desde o primeiro mandato, mas a gota d´água para a ministra transbordou na semana passada, no lançamento do PAS. O presidente Lula chamou Marina de "mãe do PAS", assim como chamara Dilma Rousseff (Casa Civil) de "mãe do PAC". Mas ao contrário de Dilma, que tem efetivo controle sobre a execução do PAC, Marina só naquele momento ficou sabendo que Mangabeira Unger, com o qual a ministra teria divergências "insuperáveis", segundo auxiliares, iria coordenar o programa para a Amazônia. O PAS teve seu lançamento antecipado em quase um mês, e Marina o considera uma ação fundamental para barrar o aumento do desmate.

No mesmo dia em que a ministra pediu demissão, a Câmara dos Deputados aprovou a medida provisória que aumenta de 500 hectares para até 1,5 mil hectares a área que pode ser cedida pela União, sem licitação, para o uso rural na Amazônia Legal.

Embora tivesse alternativa para o lugar de Marina já há algum tempo, Lula ficou aborrecido com a forma como se deu a demissão da ministra, militante histórica do PT, pela qual sempre manifestou carinho especial. Ele esteve com elas duas vezes nos últimos dias, mas a ministra não deu sinal do que iria fazer. Marina enviou a carta de demissão no final da manhã de ontem, mas antes que o presidente tratasse do assunto ela confirmaria que estava demissionária a algumas pessoas. Seu suplente no Senado - cujo lugar Marina deve voltar a ocupar -, Sibá Machado (AC), por exemplo, foi informado por ela por volta das 13h. A expectativa no governo era de que o secretário-executivo do ministério João Paulo Capobianco, acompanharia a ministra em seu pedido de demissão.

A saída de Marina deu-se em um momento politicamente delicado para o governo brasileiro, quando políticas de etanol e biocombustível - especialmente os programas brasileiros, prioritários, na visão de Lula -, são questionadas em organismos internacionais como responsáveis pela crise do aumento do preço dos alimentos em todo o mundo. Alegação que Lula contesta com veemência.

Lula temia a reação internacional dos ambientalistas à saída de Marina, mas já dispunha de alternativas no colete. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, foi o primeiro a chamar a atenção do presidente para o deputado estadual Carlos Minc (PT), seu secretário do Ambiente, que se declara "socialista libertário" e é visto como um xiita ambiental. Lula não disse nada, mas passou a observar as ações de Minc. O secretário ganhou pontos no Planalto ao liberar rapidamente todas as licenças ambientais de obras previstas no PAC para o Rio de Janeiro. O mesmo ocorreu em relação a uma obra da Petrobras em Itaborai (RJ). Quem falou com Minc ontem foi o governador Cabral - quando Lula ia telefonar, o secretário estava a bordo de um avião com destino a Paris. Enquanto Minc voava, a bancada acreana articulava politicamente para tentar manter o cargo.

Entre outras coisas, o que mais agastou a relação da ministra com o Palácio do Planalto foi a demora na concessão de licenças ambientais para obras do porte do complexo hidrelétrico do rio Madeira. Lula demonstrou publicamente irritação com os "bagres" do Madeira que impediam o licenciamento para as usinas, consideradas vitais para livrar o país de um apagão na próxima década. Ainda no primeiro mandato, chegou a circular no Planalto uma planilha que calculava na casa das dezenas de bilhões as obras paralisadas em razão de exigências do Ibama ou até da simples falta de deliberação do instituto sobre os projetos.

Marina travou várias guerras, perdeu a maioria, mas, símbolo internacional, foi ficando. Chegou a cunhar uma frase: "Perco a cabeça mas não perco o juízo". Já no primeiro ano de mandato, Lula editou medidas provisórias permitindo a plantação de soja transgênica, política que sofria forte oposição da ministra.. O lançamento anteontem da política industrial ocorreu sem menções importantes à questão ambiental. Marina também se opôs à legalização da pesquisa com células-tronco: foi novamente derrotada. Gradualmente, a ministra modulou suas críticas à política de biocombustíveis, mas na semana passada voltou a ser surpreendida por uma decisão em sua área da qual não tinha conhecimento: em depoimento no Congresso, Dilma Rousseff anunciou a volta da usina de Belo Monte (PA) ao plano de metas do governo.

O aborrecimento de Marina com o tratamento recebido do Planalto cresceu no início do segundo mandato de Lula. Dilma trabalhou nos bastidores por sua substituição. Ela só foi confirmada como integrante da nova equipe quando Lula convidou seus auxiliares para a foto oficial do ministério.

Em uma demonstração de que o episódio não o fará abrir mão das atribuições dadas pelo presidente, Mangabeira embarcou ontem à noite para Belém, onde terá encontro com a governadora Ana Júlia Carepa sobre o plano da Amazônia. Em Manaus, ele se reunirá com o governador Eduardo Braga, também hoje.

Por meio de seus assessores, Mangabeira disse lamentar a saída da ministra e negou divergências com ela. "Nada abalará o compromisso do governo Lula e do Brasil com a causa do desenvolvimento sustentável da Amazônia, que se confunde com o próprio engrandecimento do país. Jamais tive qualquer divergência com a ministra Marina Silva."

segunda-feira, 14 de abril de 2008

CARTA ABERTA CONTRA A INSTALAÇÃO DA UHE DE TIJUCO ALTO

Excelentíssimos senhores/as,

Como cidadãos brasileiros e representantes da sociedade civil por meio da entidade Associação Ocareté (CNPJ 08.679762/0001-78), apresentamos aos senhores destinatários e demais interessados esta carta aberta, pela qual nos manifestamos contra o projeto de instalação da Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto no Vale do Ribeira, da empresa Companhia Brasileira de Alumínio – CBA, nos estados de São Paulo e Paraná.

O Vale do Ribeira, região onde se pretende instalar o empreendimento, é conhecida por sua fragilidade socioambiental. Ao mesmo tempo em que abriga os mais importantes remanescentes de Mata Atlântica da região sudeste brasileira, com alta biodiversidade, é também lugar de residência de diversas famílias pertencentes a comunidades tradicionais, que sofrem com a miséria e o desrespeito às suas culturas. A instalação de qualquer empreendimento no Vale do Ribeira requer especial atenção, prudência e ampla participação pública, por isso é mais do que legítima a manifestação da sociedade civil.

O projeto da UHE de Tijuco Alto implica no desmatamento de mais de 3.700 ha de Mata Atlântica, no deslocamento de 576 famílias, na fragmentação do Rio Ribeira de Iguape e influenciará negativamente na vida aquática e terrestre ao longo de toda a bacia hidrográfica, podendo ainda trazer prejuízos para as comunidades que dependem da pesca.

Recebemos com estupefação a notícia da emissão de um parecer técnico do Ibama favorável à implantação da UHE de Tijuco Alto. Ressalta-se que diversos especialistas e diversos órgãos governamentais e não-governamentais (inclusive a Agência Nacional das Águas e o Ministério Público Federal) apontam falhas no EIA/Rima apresentado pela CBA e questionamentos a respeito de documentação legal. Os próprios técnicos do Ibama admitem haver tais problemas no estudo ambiental. Apesar de todos esses fatores e da argumentação técnica em sentido contrário, no último parágrafo do parecer o órgão ambiental federal mostra-se favorável à implantação da UHE.

Frente a essa situação, manifestamo-nos expressamente contrários ao parecer do Ibama e contrários à instalação da UHE de Tijuco Alto. Seja pelo princípio da precaução, seja pela responsabilidade da Administração Pública em atender ao interesse público, seja ainda pelo dever moral de reconhecer que um projeto de tamanha magnitude não pode ser levado à cabo estando cercado de tantas incertezas, reivindicamos que o parecer técnico seja reconsiderado.

Adicionamos nossa voz ao coro das comunidades do Vale do Ribeira, dos movimentos sociais e de outras organizações da sociedade civil comprometidos com o interesse público. Reivindicamos que essas vozes sejam ouvidas como representações legítimas do interesse da sociedade brasileira, que já não aceita passivamente o desrespeito ao bem coletivo, ao meio ambiente e ao cidadão brasileiro em nome de interesses particulares.

Associação Ocareté

domingo, 6 de abril de 2008

Amazônia Sitiada

Barragem Tijuco Alto

Último maciço de Mata Atlântica ameaçado.
Último rio intacto do estado de São Paulo ameaçado.
Há limite?
92% de Mata Atlântica já não existe mais, não estará na hora de preservar o que nos resta e celebrar a diversidade socio ambiental que jaz nas margens do Rio Iguapé. Sua nascente estará comprometida e quilometros de mata ciliar serão sumersos. Quem é beneficiado? E os prejudicados? E as tantas espécies que esquecemos de incluir no contexto? os videos que se seguem levantam alguns dos diversos aspectos envolvidos nesta luta.
para saber mais http://terrasimbarragemnao.blogspot.com/